terça-feira, 29 de Julho de 2014

É tentar, é tentar

Iam embalados  com o título de campeões da pré-época, mas à primeira derrota deixaram de analisar os jogos ( já passaram mais de 24h).
Compreende-se. É difícil inventar uma conspiração envolvendo a Liga portuguesa, o Twente e o Benfica.

O PS de Seguro é o melhor que há



Não entusiasma, não promete em excesso  ( salvo aquela coisa dos tribunais , que morrerá de morte matada), o secretário-geral toca ferrinhos ( um crime, devia ter posto um burro a correr contra um Ferrari) etc. Sim, mas.
Esta  maioria está  esgotada, como estaria qualquer outra em circunstâncias idênticas. Ainda por cima, contém uma jolda de peralvilhos ( que afinal não se piraram)  satsifeitíssimos com o rumo da coisa.  
Resta a extrema-esquerda, o PCP , os costistas-socráticos e os snipers. A extrema-esquerda só conta para os media lisboetas, o PCP é o mesmo desde o pacto Molotov-Ribbentrop. Os costistas-socráticos são quase iguais ao PS de Seguro, é verdade, mas com uma diferença: se Costa ganhar o partido, deixa logo de querer fazer tremer as permas  dos banqueiros alemães e assistiremos a um remake da guerra surda Metternich-Kolowrat. Restam os snipers, cujo discurso ( a meias com a extrema-esquerda)  ampliado pelos media merece um parágrafo.
O PS de Seguro garante o menor dos males. Uma política alinhada com as exigências do Staatsrat europeu, mas calibrada com justiça social para um país pobre : pequeno, sem recursos naturais e envelhecido. É triste, mas é a realidade e é nela, ou, melhor, debaixo dela, que floresce o discurso dos snipers  e da extrema esquerda. Todos o conhecemos: saída do Euro, reestruturação da dívida, nacionalizações. isto nos plateaus das TV's ou nas colunas do Expresso e do Publico é excelente e os basbaques aplaudem.  O problema é que, seja  por motivos pornograficamente pessoais, seja por fidelidade a  ideologias do século XIX ( do tempo em que nem rádio havia) , a sua aplicação levaria à desintegração do país que juram, com lágrimas nos olhos, defender. A boa notícia é que a maioria desta stasis é puramente táctica.
O PS de Seguro não tem carisma nem panache. Pois não. Manuela Ferreia leite também não tinha nem um nem o outro. Excitações  e ódios ficam para os vícios maoístas ou para os adolescentes dos festivais pop. O que quero é gente que cumpra a obrigação que Roosevelt dizia ser a primeira de todos os políticos: evitar fazer mal às pessoas.

Moscambilha

Das editoras . E da grossa. No ano passado 300 euros, este ano outra vez.
É uma pena a terrível troika não se ter ocupado  disto.

Refrescar a memória

Em 2007:
"Esta equipa ministerial não tem qualquer problema em actuar à margem da lei, não tem em conta critérios de justiça e equidade e desvaloriza e desrespeita a negociação, atentando contra os direitos sindicais", criticou Mário Nogueira".

A única coisa que mudou foi a quantidade de compagnons de route, raivosos  ou calculistas.

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

O Joana Vasconcelos

Que sejam felizes com os berloques gigantes, folhos , coisas enormes para delícia dos nababos.  
Não faço ideia do que o mundo da arte tenha contra estes decoradores  de interiores ( e de exteriores), mas é curioso que muitos  dos que criticam a   sociedade consumista e  o abastardamento da cultura  em proveito da massificação, se enxofrem com as críticas  dos elitistas a estes  pirilampos populares.

Uma homenagem antiga

Prestada pelo Rui Pato ao Chico Martins, que está a esta hora a contar anedotas aos deuses.

Portugal e o passsado: a I Guerra Mundial em Moçambique

Lamentava eu, há dias, o escasso interesse dos media portugueses pela nossa participação na I Guerra Mundial. O Público, no entanto, tem fugido à regra. Hoje, Manuel Carvalho assina um artigo notável, aliás o primeiro de uma série que promete, sobre o conflito em Moçambique. Assente numa investigação que levou o jornalista a visitar os locais de combate e a revisitar os testemunhos coevos, o trabalho promete alterar bastante a imagem de uma guerra pouco sangrenta, ao contrário da europeia, e de um colonialismo legitimado pelos "direitos históricos" no terreno.
Apesar de pouco estudada (o historiador Marcos Arrife chega a dizer que "o soldado desconhecido de África é bem mais desconhecido do que o da Flandres"), a guerra colonial é decisiva na história da I República. Não só porque morreram mais portugueses em África do que na Flandres, mas também porque a defesa das colónias foi o motivo principal para declararmos guerra à Alemanha. Até contra a vontade da Inglaterra, dizem as más línguas. Com boas razões. O exército português estava mal preparado, as infra-estruturas no ultramar eram quase inexistentes e a campanha de Moçambique, desde o desembarque dos primeiros 1500 homens em Porto Amélia, foi um desastre. O relatório posterior do seu comandante, o coronel Massano de Amorim, ilustra a a distância entre a realidade e a mitologia dos Mouzinhos e Gungunhanas: "Sem caminho-de-ferro, que aqui é considerado um bluff, sem linhas telegráficas, sem estradas, sem força militar... com ratoneiros e bandidos em vez de polícias e sipaios, sem protecção de espécie alguma aos indígenas... não é para admirar que à data da expedição do meu comando aos territórios da Companhia do Niassa [a concessionária da zona] os postos administrativos fossem uma vergonha, os militares uma irrisão, a ocupação uma mistificação, a cobrança de impostos uma violência, a subordinação do gentio uma utopia e a viação um esforço grosseiro." Ah, o som e a fúria... O desconcerto do soldado, condenado a uma missão impossível, arrancava-lhe parágrafos que podiam ser do Pe. António Vieira.
Não era o único a carregar na metáfora para descrever o caos. Em 1917, Brito Camacho, líder do Partido Unionista e mais tarde comissário da República para Moçambique, confessava na Câmara dos Deputados: "Não é segredo para ninguém que se têm mandado tropas para África como se não mandam reses para o matadouro". A falta de planeamento era tão escandalosa que, segundo o historiador António José Telo, o exército português registou "21% de baixas por doença nos primeiros seis meses, sem entrar em combate e mesmo sem sair de Porto Amélia".
Embora o resultado final da guerra viesse a saldar-se por uma paradoxal vitória, tendo em conta que os alemães derrotados na Europa se renderam em África, o conflito moçambicano de 14-18 teria profundas consequências na metrópole, de resto nunca vistas de perto.
No exército, em primeiro lugar, a humilhação viria a provocar um doloroso exame de consciência sobre o regime, os políticos e o colonialismo. O peso do ressentimento da tropa no golpe de Estado de 1926 é uma hipótese a pedir investigação. Vejam-se, por exemplo, as linhas que o General Gomes da Costa, nada mais nada menos que o homem forte do 28 de Maio, dedica em 1918 à última campanha da guerra ultramarina, que ele próprio comandou: "Não se conhecem nem os recursos militares das colónias, nem os seus recursos económicos, nem a sua topografia; nem há cálculos feitos para a quantidade de víveres necessários para um dado número de homens; nem estudo da ração mais própria; nem contratos ou combinações para os fornecimentos a fazer com regularidade; nem fixação das formas de acondicionamento; nem estudo dos nossos navios para se conhecer o que cada um pode transportar em homens, animais e carga; numa palavra, nada há feito, nada se sabe, para nada serve."
Não conheço retrato mais demolidor, à época, do esforço bélico e colonial do país. Dez anos depois, nem tanto, os generais derrubavam a I República e iniciavam uma ditadura que, ironia das ironias, também viria a cair por causa de uma guerra africana. Talvez o Estado Novo esperasse, da sua guerra, a redenção da que o antecedera. Talvez o trauma fosse demasiado para uma pequena nação com sonhos de grandeza. Simbolicamente, o monumento aos mortos da I Guerra em Mecula, Moçambique, foi erigido apenas em 1969 - em plena guerra colonial. Nem sempre a história se repete primeiro como tragédia e depois como farsa, ao contrário do que escreveu Marx. Por vezes, é uma sucessão de tragédias.

150 mil


Seguro conseguiu pôr Costa a falar da dívida pública. Para isso, bastou um pequeno comentário ao exercício de sebastianismo que teve lugar em Aveiro, no último fim-de-semana. No dia seguinte, lá veio Costa garantir que a dívida tinha que ser paga, com certeza, ou renegociada, com maior certeza ainda, mas que antes era preciso pôr a economia a crescer, blábláblá.
Como?
Não disse.
Evidentemente.
A única coisa que tem dito é que "não basta aumentar as exportações". O sonho comanda a vida. Mas o zé povinho, escaldado dos anos de leite e mel de Sócrates, tem algumas razões para suspeitar do sonho. O tal que ia recuperar 150 mil empregos e apenas deu emprego aos senhores da troika.