quarta-feira, 20 de maio de 2015

Até

Segunda-feira e prometam ao Costa que votam nele.

Nível

Prometemos:

1) Liquidar todas as hipotecas inferiores a 100.000 euros.
2) Nacionalizar a TAP.
3) Reduzir as propinas universitárias em 50%.
4) Transportes públicos gratuitos  e universais.
5) Acabar com as taxas moderadoras.
6) Acabar com os exames de alunos  e professores.
7)  Pôr um polícia em cada prédio e meio polícia em cada moradia.
8) Pagar metade da quinzena de férias em hotéis de  3 estrelas a todos os  funcionários públicos.
9) Aumentar o salário mínimo para o máximo.
10) Reintroduzir os governadores civis que tanta falta nos têm  feito.
11) Subsidiar as rações de gatos, cães  e periquitos em 61%.
12) Subsidiar a paleodieta em 50%.
13) Subsidiar os fiambres e os patés em 65%.
14) Proibir o álcool em recintos abertos.
15) Pagar metade do preço da cerveja ( tem vitamina B)em todos os festivais da juventude.

Boa foto de António Costa, muito boa mesmo

Ao lado do pomposo saco de vento  que declarou "muito grave" a consulta das escrituras  das casas de Sócrates.

Ganhar balanço

1) A mesma fonte disse à agência Lusa que o jovem pretendia, com estas práticas, ganhar experiência, tendo posteriormente confessado os atos.

2) Está à procura de “tentar novas formas de fazer política” mas também algum “cansaço” sobre o estado atual do país.

O ai Jesus do Sporting

Jorge Jesus no Sporting é bom.

1) É bom para ele, porque é o clube da primeira divisão mais parecido com o Estrela da Amadora, o do coração de JJ.

2) É bom para o Sporting, porque  veremos regressar ao futebol português  monstros sagrados como Roberto,  Melgarejo e  Bebé.

3) É bom para Bruno de Carvalho, porque vai ter um interlocutor à altura paras as análises sobre nádegas, macacos  do Marco e outras imperscrutabilidades da  sintaxe.

4) É bom para os benfiquistas porque passaremos a ter um treinador  cujas opções podem finalmente voltar a ser criticadas pelos media.

terça-feira, 19 de maio de 2015

A velha ordem, a nova ordem e os idiotas úteis


Lembrei-me deste cartoon de Angeli ao ver como Paulo Moura  ( Público) e  Ana Lourenço ( SIC-n) se têm  deliciado com a compreensão e o respeito que  Jaime Nogueira Pinto vota a Bin laden enquanto sublinha que as democracias por vezes elegem não-democratas.
Nada de novo, vem  de  há  muito  esta  compreensão que a extrema-direita, católica e integrista,  europeia dedica aos movimentos islâmicos radicais. O ódio à libertação feminina, à desmoralização da sociedade , aos gays e aos judeus, bem como o amor ao respeitinho, como se constatou nas reacções ao ataque ao Charlie Hebdo. Nem a actual perseguição aos cristãos os faz hesitar. Como dizia um conhecido alemão, quando a plaina trabalha caem sempre  algumas aparas.
Quanto aos  idiotas  úteis, fascinados com tudo o que possa beliscar Israel e os EUA, batem palminhas. Tão desconfiados das grandes narrativas simplistas e aceitam sem pestanejar o orgasmo da aluna de ciências políticas  com Jeb Bush: "Fomos nós ( EUA) que criámos o Estado Islâmico com a invasão do Iraque" . Era bom era.

Porrada neles

Simplificando muito, há duas falsas soluções para a violência policial de que tanto se tem falado nos últimos dias.
Uma é aquela a que poderíamos chamar de direita: os excessos da polícia são condenáveis, mas não demasiado. O uso da força pelos representantes da lei implica sempre o risco de excesso, mas, como resposta ao uso da força à margem da lei, é tolerável e, de algum modo, inevitável. Pior seria a passividade policial, a violência descontrolada, a desordem, etc. Entre dois males, tolera-se, portanto, o abuso da autoridade porque nos defende de males maiores. Esta atitude é muito pouco tranquilizadora porque o abuso de autoridade é, em si próprio, ilegítimo e não é por estar ao serviço do Estado que se torna legítimo. Mais: o poder torna-se ilegítimo na medida em que recorre ao uso desproporcionado ou arbitrário da força, pois perpetua a injustiça que diz combater. A teoria política, da democracia antiga ao constitucionalismo moderno,  tem uma velha e execrada palavra para isto: tirania. Um Estado de direito, por definição, é aquele em que todos, incluindo os titulares do poder, se submetem à lei. O abuso de autoridade nunca é um mal menor. Pelo contrário, é muitas vezes a origem dos maiores males. Talvez não seja um preciosismo relembrar que é precisamente a razão invocada pela Gloriosa Revolução inglesa ou pela Declaração de Independência americana para pegar em armas contra a autoridade. 
A esquerda oferece uma solução diametralmente oposta. Sempre reactiva ao poder, sobretudo quando o poder não está nas suas mãos, desconfia do uso da força pelo Estado. Desculpa os alvos da repressão policial, tenham ou não culpa, do mesmo modo que a direita desculpa as forças da ordem. Aliás, o conceito de culpa tem, para a esquerda, uma extensão muito mais específica. Está associado à farda, como se a farda já fosse um crime. Por uma razão óbvia: a farda é o braço armado da situação, do poder vigente, do trono e do altar, e sê-lo-á enquanto não fizermos a revolução e instaurarmos a utopia. Talvez seja uma memória geológica do tempo em que a PIDE e a GNR perseguiam o povo ao serviço da ditadura, ou talvez seja a mera desconfiança soixante-huitard da autoridade. No triste episódio de Guimarães, os inquéritos oficiais (três) ainda mal começaram, mas a condenação do agora célebre subcomissário Silva já é unânime. Quanto aos acontecimentos do Marquês, é mais difícil simpatizar com hooligans do que com um pai de família que só levou o filho ao futebol, mesmo se do outro lado está o Corpo de Intervenção. Mas não tardará muito até que alguém venha explicar o sempre revolucionário arremesso de pedras contra os gendarmes (sous le pavé la plage, e tal) com a austeridade, a troika, a coligação, a sociedade repressiva do povo carnavalesco ou outras perversões do capitalismo. Esperem pelo Professor Boaventura.
Ou talvez não seja preciso, porque José Vítor Malheiros, um colunista em geral razoável apesar do viés canhoto, atira hoje no Público a mais sectária acha para a fogueira que tenho lido sobre a matéria. A crónica segue pelo previsível caminho de verberar em bloco a actuação policial (com alguns pormenores demagógicos pelo meio), mas, lá para o fim, desvia a sentença para o Governo, como não podia deixar de ser. É que "convém a certas forças políticas que os portugueses tenham medo de sair à rua, de protestar, de defender os seus direitos, que se habituem a excessos por parte das autoridades, que se habituem a que as autoridades nunca sejam escrutindas e sancionadas. O homem agredido no domingo não é, infelizmente, primo da ministra Anabela Rodrigues. Mas, num país democrático, a polícia não pode estar ao serviço das agendas políticas deste ou daquele grupo ou das preferências de classe dos governantes".
E pronto, está explicado: a culpa da porrada na bola é de Passos e Portas. Mesmo sem ter a coragem de o dizer abertamente, Malheiros insinua que a Polícia malha nos povo porque o Governo malha no povo. Claro, claríssimo. Não fossem o vil nepotismo e o ódio as pobres dos lacaios da burguesia que nos oprimem, e o bom povo português festejaria a vitória do Glorioso em liberdade, igualdade e fraternidade, talvez com algumas pedras pelos ares, é certo, mas nada que justificasse a tirânica repressão.
Politizar casos de polícia é mau sinal, mas isto é outra coisa. É puro desespero. Não há  mesmo mais nada a dizer contra a direita?  

O manto

Escavador

Um problema novo: crie-se uma comissão de trabalho.

O Sr. Deputado referiu-se nomeadamente, ao facto de não se responsabilizarem os autores dos possíveis distúrbios nos recintos desportivos. Mas como pretende o Sr. Deputado que isso se faça? Colocando eventualmente um polícia junto de cada espectador?

Repetição, insatisfação

No Manual, no Depressão Colectiva.

Sempre histéricos, sempre impotentes

Num país em que um Madureira super-dragão  publica um livro a descrever, com  orgulho,   a bandalheira que a claque faz ( e o Expresso deu-lhe honra de capa da revista), em que centenas de vezes as estações de serviço das autoestradas são assaltadas e destruídas, em que adeptos são esfaqueados, enfim, em que a baderna geral dos adeptos é regra, o episódio  que suscitou "a reflexão sobre a violência no futebol" foi o de  um polícia a bastonar um adepto.
Agora vão passar ao hóquei.

O Prof Al. D. Rabon explica o crime de Salvaterra de Magos

Com ajuda do meu colega Pedro Santos Guerreiro ( estudámos  juntos a influência da austeridade  no comportamento sexual do  Vibrio cholera), aqui criticado  por um imbecil das redes sociais:
  

É evidente que é de associar à troika, a austeridade  e à biografia de Passos Coelho. 
Quando o Vítor Jorge matou aquela gente toda na praia do Osso da Baleia, ou quando morreu aquela gente toda no Mea Culpa, em Amarante,  qualquer idiota compreendeu que um dia a troika revelar-nos-ia a verdade.