sexta-feira, 31 de julho de 2015

Boas notícias

Às vezes, não muitas, a política nacional reserva-nos boas notícias. E hoje tive uma mão-cheia. A coligação PAF, apesar do pior nome da história das coligações desde a União Sagrada, vai integrar nas listas de deputados (em lugar elegível, dizem os jornais) o Miguel Morgado, o Filipe Anacoreta Correia, o Pedro Lomba e o Francisco Mendes da Silva. Conheço-os bem, escrevi em blogues com eles, sou há anos leitor assíduo dos quatro, mas o que me dá mais alegria, amiguismos à parte, é saber que, se forem eleitos, honrarão o Parlamento.Têm vida fora do aparelho, ideias claras e coluna vertebral: não há muitos assim nos partidos. Oxalá os partidos não os estraguem. O que me parece difícil, valha a verdade.

sábado, 25 de julho de 2015

Princípio de Peter

Não sei quem é que convenceu Santana Lopes de que ele daria um bom Presidente da República. Ninguém, provavelmente. Mas compreende-se a ânsia. Depois de Sócrates e Passos em São Bento, qualquer um pode aspirar a Belém.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Por enquanto

Quase sem darmos por nada, atentos que estamos à Grécia e ao marido da Sra. Carbonero, os EUA assinaram com o Irão um acordo que impede este país de ter armas nucleares em troca do levantamento das sanções. O acordo foi visto como uma vitória de Obama, mas nem Israel nem a Arábia Saudita, os grandes aliados de Washington no Médio Oriente, gostaram. Compreende-se. É um balão de oxigénio para Teerão, que vai voltar a vender o seu petróleo (para desgosto dos sauditas) e continuar a política de apoio ao Hezbollah (para desgosto dos israelitas), agora sem a pressão da comunidade internacional. E só os ingénuos acreditarão que os planos da bomba atómica iraniana foram mesmo para o lixo e não para uma discreta, e temporária, gaveta. A única explicação para este acordo é o medo que todos têm do Estado Islâmico. Interessa a Obama ter o Irão do lado da solução e não do problema. Por enquanto... O mundo continua perigoso.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Pequena parábola da modernidade


Quando Nietzsche morreu,  segundo uma velha piada, Deus mandou publicar o mais sucinto dos obituários: "Nietzsche morreu". A blague, como saberão os leitores deste cantinho onde o Dr. Vicente generosamente me acolhe, é uma referência vingativa à célebre tese do filósofo sobre a "morte de Deus". Nunca lhe achei muita graça. Duvido que Deus ande por aí a dar notícias bem conhecidas de todos, ao contrário de Nietzsche. O mais provável é que Deus não tenha dito nada. Na verdade, acho que foi exactamente o que Ele fez.  

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Da série "O Som e a Fúria"

"To bring the dispositions that are lovely in private life into the service and conduct of the commonwealth; so to be patriots, as not to forget we are gentlemen. To cultivate friendships, and to incur enmities. To have both strong, but both selected: in the one, to be placable; in the other, immoveable."

Edmund Burke, Thoughts on the Cause of the Present Discontents, 1770.

Cachimbos de lá

 
 
 
O Casamento da Galinha, séc. XVIII, Museu Nacional do Azulejo (Clique para aumentar; é favor olhar com atenção para o macaco à esquerda, por cima do cocheiro).

quinta-feira, 16 de julho de 2015

But all, except their sun, is set...


Ontem, nos noticiários da televisão, vi durante longos minutos a sala do Parlamento grego onde se estava a votar o novo pacote de austeridade. Sem som e com a voz dos comentadores nacionais por fundo, o espectáculo era um pouco deprimente. Dezenas de sonolentos deputados ouviam, ou pareciam ouvir, o arrastado debate, enquanto cá fora Atenas estava a ferro e fogo. No meio da modorra, era fácil distinguir os deputados do Syriza dos outros: os primeiros não tinham gravata, os segundos tinham gravata. O fosso ideológico era evidente.
No caso das senhoras, todas universalmente sem gravata, a distinção entre apoio e recusa do grande capital tornava-se mais árdua, por certo em consequência dos milénios de patriarcalismo a que o Syriza, mais tarde ou mais cedo, há-de pôr fim. Mais tarde que cedo, suponho. Para já, com o país à beira da bancarrota, dispensar a gravata é a verdadeira utopia.
Um conservador como este vosso criado fica, porém, um pouco intrigado com a timidez da revolução. Porque os fatos e as camisas dos deputados, quer estivessem engravatados, quer ostentassem um pescoço livre de convenções burguesas, eram muito parecidos. Fatos escuros, camisas lisas, sapatos pretos (derbies ou mocassins, obviamente). Na ausência de gravata, os deputados de extrema-esquerda pareciam tão convencionais como os lacaios de Berlim. O vazio gravatal tornara-se um dress code tão obrigatório como um vestido de noiva.
E o intrigado conservador pergunta, submerso na inquietude que a mudança sempre lhe provoca: será que a marcha do progresso parou às portas da Bastilha, perdão, da gravata? Onde estavam, na noite em que a Grécia submetia o seu futuro ao voto democrático, os fatos roxos, as camisas de folhos e as havaianas? Os descamisados realmente descamisados e os pés nus dos representantes do povo? Ou mesmo os representantes do povo totalmente nus? (Admito que esta hipótese seja demasiado subversiva até para os deputados, e sobretudo as deputadas, do Syriza, mas uma revolução não é um chá dançante, lá dizia o outro.)
Não estavam. Eis a terrível verdade. Nem a Grécia nos pode dar os amanhãs que cantam. Chora a primavera dos povos mais uma vez adiada, Lord Byron.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Symphonia

O acordo entre o Governo grego e os credores não deixou ninguém contente. Os que queriam a Grécia fora do euro vociferam agora "nem mais um cêntimo para Atenas". Os que queriam a austeridade fora da Grécia pedem agora a cabeça de Tsipras.
Talvez seja melhor assim. A política, como sempre, é a arte do possível.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Isto é abjecto, etc.

No passado dia 11, Mário Soares visitou José Sócrates na prisão, visita que justificou com  a "enorme e longa amizade" ao preso mais famoso do país. Nada a dizer, aparentemente. Acontece que Maria Barroso, a mulher de Soares, tinha morrido dois dias antes e o funeral provocou a justificada comoção de muitos, comoção partilhada por Soares. Segundo a revista VIP, um meio de comunicação decerto tão respeitável como o Correio da Manhã, "o fundador do PS, que enterrou Maria Barroso na passada quarta-feira, saiu da prisão amparado pelo seu motorista e visivelmente abatido com a perda da mulher da sua vida."
Em ano de eleições, com o PS em dificuldades e os portugueses desconfiados de Sócrates, declaro, indignado, que se exige algum recato no aproveitamento mediático de uma tragédia pessoal. Em política não vale tudo.  
 
(Ah, esperem, enganei-me... Este post era sobre a mulher do Passos. Mas onde é que eu tinha a cabeça?) 


domingo, 5 de julho de 2015

Férias

Quando regressar, em meados de Agosto, trago-vos um blogue novo, e de curta duração, só para as legislativas.

Com estes companheiros de trincheira os pedantes nunca se misturam

Não há coincidências nenhumas, o que há são projectos políticos, do neo-maoísmo ao cripto-fascismo, que viram  na crise grega a hipótese de respirar. As pessoas? São simples meios, querem lá saber das pessoas...
Já aconteceu antes, está  acontecer agora e voltará  a acontecer.

sábado, 4 de julho de 2015

Nada muda

Amanhã veremos muitos pedantes , nas TV's e nos  salões, classificar  de cobarde metade do povo que dizem defender.